Castas Brancas

As castas brancas mais representativas da Região de Trás-os-Montes são, Viosinho, Gouveio, Côdega de Larinho, Rabigato, Malvasia Fina, Fernão Pires.
Viosinho

De génese transmontana, a casta Viosinho sobrevive dispersa pelas vinhas velhas brancas. É uma variedade de valorização recente, contudo é uma variedade pouco produtiva, com rendimentos muito baixos, o que ajuda a explicar a popularidade reduzida. Apesar de pouco aromática, oferece um excelente equilíbrio entre açúcar e acidez, proporcionando vinhos estruturados, encorpados e ricos em álcool. Apresenta cachos e bagos pequenos, de maturação precoce, muito sensíveis ao oídio e à podridão, preferindo os climas quentes e soalheiros. Dá origem a vinhos estruturados e potentes, a que, no entanto, falta habitualmente vigor e frescura. Por isso é regularmente lotada com outras castas, capazes de acrescentar a acidez e riqueza aromática que por vezes lhe parecem faltar.

Gouveio

Profícua no Douro, a casta Gouveio encontra-se hoje disseminada por todo o território continental. Durante anos foi catalogada erradamente como Verdelho, condição que conduziu a algum desacerto entre as duas nomenclaturas. É uma casta produtiva e relativamente temporã, medianamente generosa nos rendimentos, sensível ao oídio e às chuvas tardias, com cachos médios e compactos que produzem uvas pequenas de cor verde-amarelada. Por ser uma casta naturalmente rica em ácidos, que proporciona vinhos frescos e vivos, a sua difusão a Sul, sobretudo ao Alentejo, tem sido frutuosa e célere. Dá origem a vinhos de acidez firme e boa graduação alcoólica, encorpados, de aromas frescos e citrinos, com notas a pêssego e anis, com bom equilíbrio entre acidez e açúcar. Desfruta de boas condições para apresentar um bom envelhecimento em garrafa.

Côdega de Larinho

Casta de vigor e produtividade médios, sendo sensível ao míldio e pouco sensível ao oídio e à podridão cinzenta. O cacho é grande e compacto, com bago de tamanho médio, arredondado, de cor amarelada, com película medianamente espessa, polpa suculenta. É uma casta de maturação média, os mostos possuem um potencial alcoólico médio e uma acidez baixa. O vinho apresenta-se normalmente de cor citrina com aroma bastante complexo, frutado intenso (frutos tropicais) e floral. Na boca mostra algum défice em frescura (pouco ácido), compensado com um excelente perfil aromático e grande persistência. Normalmente, uma correção ácida melhora o perfil gustativo destes vinhos.

Síria

Casta de porte semi-erecto, vigorosa e de produtividade média, é moderadamente sensível ao míldio, muito sensível ao oídio e sensível à podridão cinzenta.

Apresenta folha adulta de tamanho médio, de forma pentagonal, com cinco lóbulos. A sua cor é verde médio, o perfil é irregular, medianamente empolado e o limbo por vezes enrugado, os dentes são médios e convexos e o seio pecíolar é pouco aberto, com a base em V ou em U.

Esta casta apresenta um cacho de tamanho médio e compacto, com bago de tamanho médio a grande, de forma elíptica curta, cor verde amarelada, com película medianamente espessa, polpa rija e suculenta e de sabor indefinido. Casta de maturação média. Os mostos possuem um potencial alcoólico e uma acidez médios.

Os vinhos produzidos apresentam cor citrina, aroma frutado de média intensidade, revelando-se na boca pouco complexos, mas com um bom equilíbrio na relação

álcool/acidez.

A análise sensorial revela um potencial de qualidade regular/bom.

Rabigato

De origem duriense, a casta Rabigato estende-se por todo o Douro Superior. Por erro, no passado foi relacionada com a casta Rabo de Ovelha, variedade com a qual não aparenta qualquer semelhança. Rabo de Ovelha que, de forma igualmente errónea, perfilhou a designação Rabigato na região do Vinho Verde, com a qual não tem qualquer relação. Os vinhos oferecem acidez viva e bem equilibrada, boas graduações alcoólicas, frescura e estrutura, características que a elevaram ao estatuto de casta promissora no Douro. Apresenta cachos médios e bagos pequenos, de cor verde amarelada. Poderá, nas melhores localizações, ser vinificada em estreme, oferecendo notas aromáticas de acácia e flor de laranjeira, sensações vegetais e, tradicionalmente, uma mineralidade atrevida. É a boca, porém, que justifica a sua reputação, com uma acidez mordaz e penetrante, capaz de rejuvenescer os vinhos brancos.

Malvasia Fina

A Malvasia Fina está presente no interior norte de Portugal, é particularmente sensível ao oídio e moderadamente à podridão, míldio e desavinho, proporcionando rendimentos extremamente variáveis e inconsistentes. Os vinhos anunciam, por regra, sintomas melados, no nariz e boca, vagas notas de cera e noz-moscada, aliados a sensações fumadas, mesmo quando o vinho não sofre qualquer estágio em madeira. Os vinhos de Malvasia Fina são tradicionalmente discretos, pouco intensos, razoavelmente frescos e medianamente complexos. É uma casta de lote que, nas regiões mais frescas e quando vindimada cedo, funciona como base de Espumantes.

Fernão Pires

É uma das castas brancas mais plantadas em Portugal, ocupando uma mancha regular que se estende por todo o país. A produtividade elevada, bem como a versatilidade, precocidade e riqueza em compostos aromáticos, ajudam a explicar a popularidade. Por ser uma casta muito plástica é utilizada igualmente em estreme e lote, aceitando ainda a espumantização e a vindima em colheita tardia, para a obtenção de vinhos doces. Por regra, os vinhos de Fernão Pires devem ser bebidos jovens. Sensível às geadas, prefere os solos férteis, de clima temperado ou quente. Os descritores aromáticos que lhe estão associados alternam entre a lima, limão, ervas aromáticas, rosa, tangerina e laranjeira. Para além de Portugal, a casta Fernão Pires tem sido plantada com algum sucesso na África do Sul e Austrália.