VINHO DOS MORTOS
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O Vinho dos Mortos é uma velha tradição portuguesa que data do início do século XIX, quando da Invasão Napoleónica do país. Os produtores de vinho enterraram garrafas de vinho no chão para evitar pilhagem pelos soldados. Terminados os combates, os vinhos foram desenterrados e houve uma agradável surpresa. A bebida das garrafas estava com sabor (“bouquet”) ainda melhor, um vinho com graduação de 10 °C/11°C, palhete, apaladado que tinha então, uma gaseificação natural em função da temperatura constante e da escuridão. A tradição ganhou o nome “dos Mortos” em alusão às garrafas terem estado enterradas. Outro nome desse vinho “Morto de Boticas” por ser cultivado principalmente na Vila de Boticas.

Repositório do Vinho dos Mortos
Consciente do valor cultural que o Vinho dos Mortos representa para o Município, bem como do carácter único da história que lhe deu origem, a Câmara Municipal de Boticas, procurando preservar esta história e dá-la a conhecer a todos quantos visitam o concelho, procedeu à construção de um pequeno espaço museológico a que deu o sugestivo nome de “Repositório Histórico do Vinho dos Mortos”, local onde surge representado todo o processo de “fabrico” deste precioso néctar que ao longo de décadas ajudou a espalhar pelo país e pelo mundo o nome do Concelho de Boticas, ao qual apareceu sempre associado.

O “Repositório Histórico do Vinho dos Mortos” está implantado junto à entrada da Freguesia da Granja, local onde se erguiam as vinhas que deram origem a este vinho. De resto, a sua área geográfica de produção abrange apenas as freguesias da Granja, Boticas e Sapiãos.

Para albergar este espaço museológico foi reconstruído um pequeno edifício em granito, representando uma adega tradicional, tendo no seu interior um lagar em pedra, alguns objectos ligados à produção do vinho e painéis descritivos desse processo e da história que deu origem à sua denominação. O espaço exterior foi também cuidadosamente tratado, mantendo o enquadramento do tema a que se refere. Assim, como cenário de fundo do edifício foi construída uma vinha em “latada”, com as videiras dispostas de forma a constituírem uma ramada.

O restante espaço envolvente foi relvado e arborizado, perspectivando-se ainda que aqui venham a ser colocados em exposição alguns objectos relacionados com o vinho que possam ser mantidos ao ar livre, como tinas ou vasilhas em granito.